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Os 10 Mandamentos do Chimarrão

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Publicação: 01/10/2007


 I- Não peças açúcar no mate
 O gaúcho aprende desde piazito por que o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, apenas amargo. Mas, se tu és dos que vêm de outros pagos, mesmo sabendo, poderás achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar neste pedaço de Brasil: pedir açúcar. Pode-se pôr água, ervas exóticas, cana, frutas, feldspato, dólar etc., mas jamais açúcar. O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais, não hesites; pede uma Coca-Cola com canudinho. Tu vais te sentir bem melhor.

 
 

 II- Não digas que o chimarrão é anti-higiênico
 
Tu podes achar que é anti-higiênico pôr a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando de chimarrão. Repito: pede uma Coca-Cola com canudinho. O canudo é puro como água de regato (pode haver coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa, não nele).
 
 

 III- Não digas que o mate está quente demais
 
Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume e não te fresqueies. Se, porém, te julgas perfeitamente igual às demais, fazes o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vais adorar o chimarrão de lá.
 

 

 IV- Não deixes um mate pela metade
 Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Com o cachimbo da paz cada um dá uma tragada e passa-o adiante. Já o chimarrão, não. Tu deves tomar toda a água servida, até ouvir o ronco da cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento seguinte.
 
 
 
V- Não te envergonhes do ronco no fim do mate
 Se, ao acabar o mate, sem querer fizeres a bomba "roncar", não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar um mal-educado. Este negócio de chupar sem fazer barulho vale para Coca-Cola com canudinho, que tu podes até tomar com o dedinho levantado.
 
 
 VI- Não mexas na bomba
 A bomba do chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesmo, da erva-mate ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas, por favor, não mexas na bomba. Fale com quem lhe ofereceu o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.
 
 
 VII- Não alteres a ordem em que o mate é servido
 
Roda de chimarrão funciona como cavalo leiteiro. A cuia passa de mão em mão sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve, mas depois de entrar, espera sempre a tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do Estado.
 
 
 VIII- Não "durmas" com a cuia na mão
 
Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando ... E às vezes, te surpreendes até imaginando que a cuia não é cuia, mas o quente seio moreno daquela chinoca faceira que apareceu no baile do Gaudério ... Agora, tomar chimarrão numa roda é muito diferente. Aí o fundamental não é meditar e sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ris, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que esta tua participação não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer da cuia que está em tua mão. Fala quando quiseres, mas não te esqueças de tomar teu mate, que a moçada tá esperando.
 

 

 IX- Não condenes o dono da casa por tomar o 1° mate
 
Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio o primeiro, saibas que o grosso és tu. O pior mate é o primeiro e quem toma está te prestando um favor.
 
 
 X- Não digas que chimarrão dá câncer na garganta
 Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pegas na cuia, que irás dizer, com ar de entendimento, que chimarrão é cancerígeno. Se aceitastes o mate que te ofereceram, toma e esquece o câncer. Se não der para esquecer, faze o seguinte: pede uma Coca-Cola com canudinho que ela ... etc., etc ...


Fonte:   Movimento Tradicionalista Gaúcho / Pérsio de Moraes

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