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Porto Alegre: As correntes marítimas no litoral do Rio Grande do Sul

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Publicação: 11/09/2007
Atualização: 11/09/2007

Com uma declividade de apenas dois graus, a plataforma marítima do Rio Grande do Sul é bem mais rasa do que em outros lugares do litoral brasileiro. Por isso, quando há uma ressaca, as ondas jogam muita areia na praia. Essa é a explicação para o fato de, em alguns locais, a praia estar aumentando. O mar, então, recua, o que tem sido acompanhado nas proximidades do molhe leste, na praia do Cassino, em Rio Grande.
 
 Com 620 quilômetros de extensão, o Rio Grande do Sul tem a maior praia do mundo, entre Torres e a Barra do Chuí, na fronteira com o Uruguai. Mas o litoral gaúcho não se diferencia dos demais apenas pela quantidade de areia. Existem particularidades também no mar, onde se reúnem diversas correntes.
 
 Esse encontro de correntes se dá defronte a Rio Grande, estendendo-se por vezes até o Chuí. Normalmente ocorre a quinze quilômetros da costa, mas já foi visto até na beira da praia. Do Sul vem a corrente das Malvinas, com temperatura de quatro a cinco graus e salinidade de 34 partes de sal por mil, em média, que vem "fervilhando de vida", conforme explicam pesquisadores da Universidade Federal de Rio Grande.
 
 Chega a ser escura, de tão rica em nutrientes. Eles é que permitem um melhor desenvolvimento do fitoplâncton (microalgas que são a base de toda a cadeia alimentar nos mares) e do zooplâncton (crustáceos microscópicos), cuja presença em grandes volumes resulta na formação de enormes cardumes de peixes, devido à fartura da alimentação.
 
 Do Norte vem a corrente do Brasil, mais pobre em nutrientes, e com temperatura variando entre 13 e 18 graus, com salinidade média de 28 a 33 partes por mil. Suas águas são azuis e bem mais claras que as da corrente das Malvinas.
 
 Ao se encontrarem, essas duas correntes formam algo parecido com o encontro das águas dos rios Amazonas e Negro, próximo a Manaus. Mas ao seu azul mais claro e mais escuro, junta-se um terceiro bloco de águas, bem barrento, resultado das chuvas e do escoamento das lagoas, especialmente da Lagoa dos Patos que, quando está com uma correnteza maior, chega a penetrar 150 quilômetros mar adentro.

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