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Capítulo 11 - A Salamanca do Jarau

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Publicação: 01/10/2007


(J. Simões Lopes Neto)

(continuação)

ELUCIDAÇÃO

I - Cerro do Jarau - Na Coxilha Geral de Santana, sobre a linha divisória com a República do Uruguai.

Fica um pouco ao N. da cidade de Quaraí, em campos da família Assunção, do Pelotas. É o ponto culminante (... metros) daquela zona, sendo avistado de muito longo. No fim da guerra dos Farrapos (1845) notaram-se sobre o espigão do Cerro, e perecendo dele sair, grossos rolos de fumaça. É essa a primeira notícia que há do fenômeno.

Outras combustões registraram-se depois, notadamente por 1904, em que se disso mesmo que havia expulsão de vapores ígneos


II - Salamanca - Furna encantada; provém a denominação da cidade do Salamanca, na Espanha, onde existia, diz-se., uma célebre escola de magia, no tempo dos Mouros. A seguir a tradição local, o célebre caudilho Bento Manuel deveu a sua sorte guerreira, política e de fortuna ao conchavo que ajustou na salamanca do Jarau. Antes dele, alguns, mas depois, nenhum outro aí obteve mais nada dele - “que o cerro pegou fogo” - quando acabou o encantamento.



III - Laus’ Sus-Cris’! - Forma abreviada o estranha, é certo, porém expressiva, da saudação - Louvado seja Jesus Cristo! Ouvimo-la inúmeras vezes, em nossa infância.



IV - Boi Barroso - É a vaga relembrança dum boi encantado, que aparecia porém nunca era encontrado por muito procurado que fosse; e também denominação duma antiga dança camponesa, cuja música era ornada de versos que eram cantados durante o folguedo.


V - Anhangá-pitã - Literalmente, do tupi-guarani; diabo vermelho.


VI - Teiniaguá - Idem: lagartixa. A teiniaguá encantada também era chamada - cerbúnculo, farol - e trazia engestada na cabeça uma “pedra preciosa que cintilava como brasa e de cor de rubim...

Semelhante animal nunca puderam apanhar nem vivo nem morto, porque por suas irradiações desvia os olhos e mãos dos perseguidores”. (Revº C. Teschauer, S. J. na Rev. do Instº do Ceará, 1911).

VII - Zaoris - V. adiante a lenda referente.


VIII - Charruas - Tribo guerreira, indômita, acantonada sobre a Coxilha do Haedo, e dominando o rio Quaraí até o Uruguai e para L. até o Rio Negro. As guerras e contínuas correrias que desde 1750 até mais de um século depois afligiram o Rio Grande e o Estado Oriental dizimaram esta tribo (como a outras) hoje, por bem dizer, extinta. Desse quase acabamento e dispersão é que resulta o esquecimento e a deturpação das lendas que entre tais gentes florescerem.


IX - Cidade de Santo Tomé - Na Argentina, sobre o Uruguai, entre o rio Icamaquã e a cidade rio-grandense. de S. Borja. “Destruídas as reduções do Guaíra e expulsos pelos mamelucos, estabeleceram-se os missionários primeiro no centro do Rio Grande do Sul entre os rios Pardo e Jacuí. Mas só por poucos anos. Mais tarde, outra vez perseguidos e expulsos pelos mesmos, refugiaram-se uns para as hodiernas Sete Missões, os outros para a margem direita do Uruguai, incorporando-se à redução de Santo Tomé, de cujas ruínas se levantou depois a cidade do mesmo nome, quase em frente de S. Borja.” (Revº C. Teschauer, citado) Existe no arrabalde de S. Tomé a famosa sanga, que o populacho de origem índia ainda hoje aponta como prova do acontecimento e poder da teiniaguá encantada.

X - ... tangido pelo Destino - É característico este traço no indivíduo rio-grandense, que até por hábito doméstico emprega como vulgares as expressões - sorte, destino, fado -. Na gente inculta torna-se curiosa a indistinta veneração prestada ao divino e ao diabólico, como forças superiores que atuam sobre os homens.


XI - ... aí durou duzentos anos, etc. - Coincide coma lamentação do sacristão encantado a era do período mais calmo das Missões sobre o Rio Uruguai, 1650, em que formou-se a lenda.



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